Sagrado Segredo

Um filme de André Luiz Oliveira

Novo filme do diretor de Meteorango Kid e Louco por Cinema mergulha nas questões da fé

O baiano André Luiz Oliveira mistura ficção e documentário para investigar os segredos e a natureza do sagrado

O filme tem produção conjunta dos realizadores Marcio Curi e Renato Barbieri

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Um menino entra de mãos dadas com a mãe numa igreja típica do interior do País. Sob o olhar da criança, vemos desfilar a Via Sacra em imagens que revelam todo o sofrimento vivido por Jesus Cristo, até a morte na cruz. É com a surpresa estampada nos olhos do menino (que parece indagar o porque de tanto horror) que começa o filme SAGRADO SEGREDO, a mais recente realização do cineasta baiano radicado em Brasília, André Luiz Oliveira. O filme faz estréia conjunta no dia 3 de agosto nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Salvador.

SAGRADO SEGREDO é uma produção que caminha entre a ficção e o documentário. De um lado, há o registro real da tradicional encenação da Via Sacra, na cidade de Planaltina, no entorno de Brasília. De outro, a ficção que mostra uma equipe de filmagem registrando a famosa encenação no Morro da Capelinha, realizada desde 1973. Em meio a tudo, a perplexidade e a busca do diretor da equipe por um encontro com o Cristo vivo.

A narrativa é centrada na trajetória deste cineasta, vivido pelo ator Guilherme Reis, encurralado entre a liberdade da arte e a emergência de um caminho espiritual. Sua angústia o leva até um ritual religioso tradicional (a “Via Sacra”), um ambiente possível para expressar artisticamente a sua busca do SAGRADO. É nesse percurso de natureza mística que ele se defronta com um grande SEGREDO. Segundo André Luiz Oliveira, seu mais novo longa-metragem é uma proposta de iniciação espiritual pelo caminho da arte, do amor e da ciência. E, sim, ele admite: é autobiográfico.

SAGRADO SEGREDO reúne atores do primeiro time do teatro de Brasília – além de Guilherme Reis estão André Amaro, Iara Pietricovsky, Renato Mattos e Ana Cristina. Também participam o Grupo Via Sacra, de Planaltina, sob a direção de Preto Rezende, e o renomado físico nuclear indiano Amit Goswami, que pela primeira vez participa de um filme brasileiro. A produção leva a assinatura conjunta dos realizadores Marcio Curi e Renato Barbieri, parceiros do exitoso projeto Teste de Audiência, patrocinado pela Caixa Cultural desde 2007.

O FILME

O roteiro original de SAGRADO SEGREDO incluía apenas a versão documental, cujo resultado foi montado sob o título O Teatro de Deus, um documentário sobre o trabalho do grupo Via Sacra de Planaltina, filmado na sexta-feira santa de 1999. Mas depois de ver o material, o diretor André Luiz Oliveira conta que sentiu que poderia incluir ali suas impressões remotas sobre a história de Jesus, desde a infância em Salvador, acrescidas de tudo o que apreendeu em leituras, abordagens, reflexões e questionamentos posteriores. “Fiquei atraído por esse formato híbrido (doc/ficção) também pelo risco que iria correr ao utilizar uma abordagem diferente de tudo o que já tinha feito ou visto. Gosto sempre de arriscar”, conta ele.

 Assim, optou por voltar no ano seguinte ao Morro da Capelinha, já com atores dando vida a uma equipe de filmagem. E ainda retornou outras vezes, para captar imagens complementares, closes, takes de cobertura. Por fim, convidou Amit Goswami para fazer uma exposição de suas idéias a respeito da figura de Jesus Cristo na história da humanidade à luz de uma ciência contemporânea. Os depoimentos de Amit Goswami conduzem a narrativa. O físico quântico também lança questões que podem mexer com dogmas da Igreja Católica: “Ele afirma que obediência às regras não combina com a mensagem deixada por Jesus, que pregou a liberdade e que dizia ‘que a verdade nos liberte’”, explica André Luiz Oliveira.

 AMIT GOSWAMI

Amit Goswami é um físico nuclear respeitado mundialmente, tido entre os mais importantes cientistas da atualidade. O trabalho de Goswami tem sido estabelecer uma ponte entre a ciência e a espiritualidade. O indiano radicado nos Estados Unidos (PHD em física quântica e professor aposentado da Universidade de Oregon) costuma dizer que “Deus ainda será objeto de estudo da ciência e não mais da religião”. Seu pensamento está expresso em vários livros lançados no Brasil, como O Universo Autoconsciente (no qual procura demonstrar que o universo é matematicamente inconsistente sem a existência de uma força superior, ou seja, Deus), Deus não está morto, A Física da Alma, Criatividade Quântica, A Janela Visionária e Evolução Criativa das Espécies. Esta não é primeira participação do cientista no cinema. Ele é um dos entrevistados do documentário Quem somos nós, de 2004, e o Ativista Quântico, de 2009, que fala do impacto filosófico das descobertas da física quântica na percepção da realidade.

O DIRETOR

Um dos nomes mais proeminentes do chamado Cinema Marginal, o baiano André Luiz Oliveira acredita estar seguindo, em Sagrado Segredo, a trilha da “contracultura”, entendida como sinônimo de rebelião, oposição ao estabelecido, renovação. Ele explica: “Tanto Meteorango Kid quanto Sagrado Segredo foram filmes feitos com pouquíssimo recurso financeiro, na base da guerrilha, arriscando tudo na linguagem e conteúdo, ambos se antepondo às estruturas rígidas e autoritárias. De um lado, a ditadura militar da época de Meteorango, de outro, a Igreja Católica Apostólica Romana, sempre”.

Este é o quarto longa de André Luiz Oliveira. O cineasta, roteirista, compositor, músico, nascido em Salvador, Bahia, já assinou filmes de longa e curta-metragem de ficção e documentário, criou argumentos, roteiros, vídeos, gravou CDs, DVDs, trilhas sonoras, fez shows, programas de televisão, autor de livros e peça de teatro. Encantou o público e a crítica do Brasil logo em seu filme de estréia, Meteorango Kid, O Herói Intergalático, de 1969, vencedor do Prêmio Especial do Júri do V Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ganhador do Prêmio Margarida de Prata oferecido pela CNBB e OCIC – Office Catholic International du Cinema.

Em 1974/75, André Luiz Oliveira lançou A Lenda de Ubirajara, adaptação do romance Ubirajara, de José de Alencar, vencedor de duas Corujas de Ouro e Prêmio Especial do Júri e Melhor Roteiro no VII Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, exibido em diversos festivais no exterior. Vinte anos depois, o cineasta filmaria Louco por Cinema, comédia que é um exercício de metalinguagem sobre o ofício de cineasta e as dificuldades de fazer cinema. O filme arrebatou público e crítica e amealhou os seis principais prêmios do 27º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, inclusive os de Melhor Diretor e Melhor Filme. Também conquistou a estatueta de Melhor diretor no 3º Festival de Cuiabá do Cinema Brasileiro.

Atualmente André Luiz Oliveira divide seu tempo entre o cinema e a música. É autodidata. Começou a tocar violão de ouvido, ainda menino, depois passou para o saxofone na banda do colégio e quase optou pela música. “Mas o cinema me atropelou e comecei muito cedo a fotografar e filmar”, conta ele. No entanto, a paixão seguiu e rendeu vários frutos.

 Para um cineasta, André Luiz tem uma longa discografia. São três CDs criados sobre os poemas de Fernando Pessoa, que ele estuda há 26 anos – os discos MENSAGEM, que incluem participações especiais de nomes como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Gal Costa, dentre vários outros. Há também os CDs Ser Fã, com músicas e letras de André Luiz em homenagem a artistas como Luiz Gonzaga e Dorival Caymmi, e África Brasil – A Trilha Sonora, que conta com intérpretes como Djavan, Maria Bethânia, Sandra de Sá, Leila Pinheiro, Adriana Calcanhoto, Pena Branca e Xavantinho, Lazzo, Gerônimo, Marinês, além do próprio André Luiz Oliveira.

André toca sitar (instrumento indiano) desde 1981 e dedica-se a estudá-lo diariamente. Desde 1997 apresenta o show O Caminho das Índias, uma experiência musical com o sitar indiano e a viola caipira, executada pelo parceiro e maestro Cláudio Vinícius, autor das trilhas sonoras dos seus filmes, inclusive de Sagrado Segredo. Lançou o livro Louco por Cinema – Arte é pouco para um coração ardente, em 1995, e atualmente finaliza a versão escrita de Sagrado Segredo. Seu único texto teatral é A Tentação de São João, de 2000. “Vivo mergulhado em um amplo e permanente processo de autodescoberta, autorreflexão, autobusca, que se expressa de maneiras distintas. Não privilegio nenhuma delas: simplesmente acontecem”, explica.

OS PRODUTORES

Na produção de SAGRADO SEGREDO estão Marcio Curi e Renato Barbieri, dois cineastas, roteiristas e produtores bastante conhecidos no cenário cinematográfico nacional. São também os criadores e realizadores do projeto Teste de Audiência, que exibe em primeira mão filmes de longa metragem ainda não-finalizados. O projeto acontece simultaneamente em Brasília e Curitiba e está em seu sexto ano de sucesso.

Marcio Curi roteirizou e dirigiu, em parceria com Yanko del Pino, o longa A TV que virou estrela de cinema (1993), produziu os premiados Louco por cinema, Filhas do Vento e mais 11 longas entre 2001 e 2010. Em 2006/2007, produziu o infantil A Casa do Mestre André, para a série Curta Criança da TVE e dirigiu o documentário Arte é pouco para um coração ardente para a série Retratos Brasileiros do Canal Brasil. Em 2008 foi produtor-executivo e diretor-assistente da série Sua Escola Nossa Escola, para a TV Escola do MEC. Em 2011, integrou a Comissão de Seleção de Projetos de Difusão de Filmes de Longa-metragem para o Programa Petrobras Cultural 2011/12. No momento finaliza o longa-metragem A última estação, que dirigiu em 2011.

Renato Barbieri é cineasta e tem uma carreira ligada ao documentário, ao cinema, à televisão e ao produto audiovisual educativo. É formado em Psicologia pela PUC/SP e foi professor de Projetos Experimentais: Vídeo e TV do Curso de Jornalismo da PUC/SP. Barbieri iniciou-se na direção em 1983, como integrante da produtora paulista “Olhar Eletrônico”, ao lado de realizadores como Fernando Meirelles (Cidade de Deus; Cegueira), Paulo Morelli (Cidade dos Homens), Marcelo Tas (CQC), Toniko Mello (Vips) e Marcelo Machado (Tropicália), dentre outros. Lá, dirigiu diversos programas semanais, realizou os premiados curtas Do Outro Lado da Sua Casa, Duvídeo e Expiação e quase duas centenas de matérias especiais para revistas eletrônicas semanais. Em seguida, foi diretor do telejornal diário Jornal de Vanguarda, na Band, e dos programas semanais Vitrine e Forum, na TV Cultura. A partir de 1992, funda a produtora Gaya Filmes e aprofunda-se no documentário, realizando alguns títulos de repercussão internacional, com destaque para Atlântico Negro – Na Rota dos Orixás, A Invenção de Brasília, Moçambique, Cidades Inventadas e A Liga da Língua. Realizou também diversas cine-biografias: em longa metragem as do italiano Gabriel Malagrida e do cubano Félix Varela, bem como a do escritor Monteiro Lobato, do artista Glenio Bianchetti e do cartunista Mauricio de Sousa. O longa As Vidas de Maria marca sua estréia na ficção. Barbieri acumula mais de 30 prêmios nacionais e internacionais de destaque, como o Prêmio Grinzane Cavour (União Latina) e Prêmio Internacional OCIC, por Malagrida (2000); Prêmio Margarida de Prata (CNBB) e Prêmio Pierre Verger: Excelência (ABA), por Atlântico Negro – na Rota dos Orixás (1998); e Prêmio Tucano de Ouro de Melhor Vídeo (FestRio) por Duvídeo (1987).

SINOPSE

SAGRADO SEGREDO – Brasil, 2012, cor, 73min

Direção: André Luiz Oliveira

Produção: Marcio Curi e Renato Barbieri

Elenco: Guilherme Reis, André Amaro, Renato Mattos, Iara Pietricovsky e Ana Cristina

Participações Especiais: Amit Goswami e Grupo Via Sacra (Planaltina/DF)

Trilha Sonora: Cláudio Vinícius

Direção de Fotografia: André Lavenère

Montagem: Adelson Barreto

SAGRADO SEGREDO narra a trajetória de um cineasta encurralado entre a liberdade da arte e a emergência de um caminho espiritual. Sua angústia – resultante desse dilema – o leva até um ritual religioso tradicional (a “Via Sacra”), o ambiente ideal para expressar artisticamente a sua busca do SAGRADO. É nesse percurso de natureza mística que ele se defronta com um grande SEGREDO.